quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Resiliência: A Competência da Vez

Ainda que cada vez mais integrada ao nosso vocabulário, a resiliência é um conceito relativamente novo nas Ciências Humanas, que vem sendo amplamente estudado por especialistas de vários campos, sobretudo na psicologia. Vista num passado recente como uma qualidade nata dos indivíduos, e analisada principalmente em crianças, a resiliência saiu da academia e entrou com louvor para o mundo organizacional quando foi identificada como uma competência: ou seja, era passível de ser desenvolvida em pessoas. Misto de resistência, flexibilidade e capacidade de recuperação, e ainda um pouco mais, a depender dos ingredientes que a descrevem em suas diferentes composições, o termo busca explicar a capacidade de superação presente em indivíduos, grupos e organizações. Os estudiosos dizem que se trata de um fenômeno inerente ao desenvolvimento humano. Mas o fato é que, num mundo em que as adversidades vêm sendo banalizadas, ser resiliente tornou-se quase que uma necessidade, não havendo outra escolha.
Apesar disso, ainda são poucos os dicionários que associam resiliência às características humanas; quando o fazem tendem a colocá-la em sentido figurado, como resistência ao choque. Em geral, restringem-se a reproduzir sua definição original que vêm da física, da capacidade que certos materiais têm de voltar ao seu estado normal depois de serem deformados. No ambiente corporativo, ela surgiu envolta em ares de invencibilidade e rapidamente tornou-se primordial e desejada; cobriu todas as nuances necessárias ao profissional do momento, principalmente se levarmos em conta as crescentes pressões exercidas pelos mercados abertos que sofrem todo tipo de intempéries em cenários cada vez mais competitivos. Alguns críticos indicam que a nova competência pode ser uma faca de dois gumes, na medida em que, às vezes, é usada como pretexto para demandar mais do que as pessoas podem entregar com conseqüências penosas para a saúde física e mental. É inevitável observar: assim como materiais distintos apresentam graus diferenciados de elasticidade, os profissionais precisam avaliar seus limites ao stress ou a ambientes hostis, procurando encontrar o ponto interno de equilíbrio, que é quase como impressão digital, cada um tem a sua. Qualquer comportamento em exagero pode ser nocivo como qualquer atitude levada ao extremo. É natural, entretanto, que tenha mais chance de sobreviver aquele que é capaz de enfrentar dificuldades de toda sorte e ainda continuar firme no propósito de levar à frente suas metas de crescimento, demonstrando otimismo e auto-controle. Mas é preciso olhar com cautela para os limites individuais: nem todos desempenham com a mesma desenvoltura a habilidade ou devem fazer esforços desmedidos para desenvolvê-la. Nesse sentido, é importante considerar as suas próprias características, valores, experiência acumulada, tolerância à frustração. Sem dúvida, uma boa investigação da sua performance profissional irá colaborar para aumentar o seu grau de conhecimento e permitir que você passe a se testar com consciência. Resistir ao seu superior, que insiste em dizer que você não é bom chefe porque ouve seus subordinados, pode ser de extrema importância, se você julgar que para atingir os excelentes resultados que vêm obtendo precisa se relacionar bem com a sua equipe.
No entanto, cuidado com os clichês do tipo, tem sucesso quem deixa de lado as emoções ou coisas do gênero. Não existem fórmulas para aprender a lidar com a pressão ou aumentar a resistência, apenas processos que auxiliam a reflexão como o coaching. Explorar a resiliência a seu favor, é estar sempre atento às situações que precisam ser enfrentadas, considerando-se dentro do contexto, ponderando, por exemplo, se os sacrifícios vão compensar em nome de benefícios que possam ser colhidos no futuro. Essas oportunidades, inclusive, podem valer "ouro" em termos de crescimento pessoal e profissional. Resiliência não é deixar de ter emoção, mas estar envolvido a ponto de poder avaliar com tranqüilidade todas as circunstâncias e tomar as decisões certas sem sofrimento; na maioria dos casos, a competência é aperfeiçoada ao longo da vida, naturalmente, durante o processo de amadurecimento; é aquela que irá conferir um toque de leveza às nossas atitudes.
Aplica-se o mesmo raciocínio na exposição ao estresse e à adversidade psicossocial.
Medidas favoráveis à resiliência:
Planificação – As pesquisas mostraram que para as crianças de meios desfavorecidos as experiências positivas na escola tornaram mais provável a planificação de sua vida e com isto correm menos riscos. Importante influência tem o casamento harmonioso entre pessoas cuja conduta não difere da estabelecida pela sociedade.
Autoestima – É muito provável que o êxito em uma área confira às pessoas sentimentos positivos de autoestima e eficiência, que tornam possível a confiança necessária para tomar medidas que lhes permitam sair bem em outras provas da vida.
“Endurecimento” – Devido às variações individuais na suscetibilidade ou vulnerabilidade às experiências adversas anteriores, alguns “endurecem” para enfrentar novas dificuldades.
O mais importante é que as pesquisas mostram a possibilidade de a resiliência ser um recurso útil na defesa social.

Abraços,
Edmária Pontes
COACH INTEGRAL SISTEMICO